Publicado por: Vinicius AC em: 05/12/2007
(atualizado em: 08/01/2007)
Resultados do Desenvolvimento Tradicional
Desde 1994, o Standish Group International publica a cada dois anos um estudo intitulado de Chaos Research [STANDISH, 2001] que consolida as informações de uma grande pesquisa sobre sucessos e fracassos dos projetos de software (figura 2.4). Neste estudo, os resultados dos projetos são enquadrados em uma das seguintes categorias:

Figura 2.4 – Resultados dos estudos Chaos Research
Este estudo é bastante abrangente, pois engloba uma grande quantidade de projetos com as mais diversas metodologias de desenvolvimento. Porém, apesar da diversidade de metodologias, a grande maioria delas é baseada no desenvolvimento tradicional. A figura 2.4 mostra que apesar de ter ocorrido um aumento substancial da porcentagem de projetos bem sucedidos e diminuição de fracassados, os últimos resultados ainda são muito ruins, pois os projetos fracassados e comprometidos equivalem a 66% do total.
Como já foi dito neste trabalho, todas as metodologias tentam, entre outras coisas, reduzir o alto risco associado ao desenvolvimento de software. Porém, de acordo com os resultados alarmantes conseguidos nos últimos anos (figura 2.4), está claro que o desenvolvimento tradicional não tem conseguido atingir este objetivo. Estes resultados respaldam a afirmação de Brooks (seção 2.2.5) de que o desenvolvimento tradicional é equivocado.
Resultados do Desenvolvimento Ágil
Nos anos de 2006 e 2007, Scott Ambler organizou pesquisas para medir a adesão dos profissionais e das empresas aos valores, princípios e práticas comumente usadas no paradigma ágil. Os pesquisados tiveram que responder um questionário com perguntas relacionadas ao objetivo da pesquisa. Os resultados das duas pesquisa foram publicados na revista Dr. Dobb’s [DOBBS, WEB].
Os resultados mostram, entre outras coisas, que a grande maioria das empresas pesquisadas já adota técnicas ágeis, e que um adicional de aproximadamente 7% pretende adotar em no máximo 1 ano (figura 2.7).

Figura 2.7 – Taxa de adoção de técnicas ágeis pelas organizações
Outra constatação muito importante é que a adoção de técnicas ágeis não está restrita a projetos pilotos, isto fica claro na figura 2.8 que mostra a quantidade de projetos ágeis em andamento por organização.

Figura 2.8 – Número de projetos ágeis em andamento
Os dados da pesquisa de 2007 também mostram claramente que as técnicas ágeis foram implantadas com sucesso na maioria das empresas pesquisadas. A figura 2.9 mostra a porcentagem global de sucesso nos projetos. Neste caso não houve na pergunta uma definição formal de sucesso, já que esta definição em projetos de TI costuma variar por organização e freqüentemente até mesmo por projeto.
As fatias do gráfico indicam as porcentagens de pessoas que acreditam que seus projetos ágeis estão dentro da faixa de sucesso representada pela cor. A faixa de sucesso que cada cor representa está descrita na legenda.
Ex.: 77%(verde claro + verde escuro) das pessoas pesquisadas indicaram que seus projetos ágeis tiveram mais que 75% de sucesso. (nada mal)

Figura 2.9
Apesar da diferença de tamanho da amostra, em relação ao Chaos Research [STANDISH, 1994], os resultados mostrados na figura 2.9 são muito significativos e esclarecedores, pois dão uma boa idéia da grande diferença que existe em termos de resultados, entre os processos ágeis e os tradicionais. A pesquisa, feita através da Internet, recebeu respostas de 781 pessoas da área de TI, sendo 52% desenvolvedores e 22% gerentes, em março de 2007 [DOBBS, WEB; AMBLER, WEB].
Com base nos dados mostrados, fica claro que as metodologias ágeis, seis anos após seu surgimento, estão deixando de ser algo incerto, adotado somente por empresas jovens e com cultura fortemente voltada para inovação. O grande crescimento dos projetos que usam técnicas ágeis, em número e tamanho, nas mais variadas organizações, incluindo as grandes e tradicionais, mostra que o desenvolvimento ágil está tornando-se rapidamente a opção comum da maioria das empresas para projetos de software.
Essa pesquisa não é “A PESQUISA!”. Mas, independente de outras coisas, ela já merece algum crédito por ter sido publicada numa das maiores revistas, focada em desenvolvimento de aplicações e sistemas embarcados, do mundo. Somado a isto, existe o crédito da pesquisa ter sido organizada por um cara extremamente competente e bastante conhecido (Scott Ambler). Minha opinião pessoal é que, por estes dois motivos, ela merece mais que “algum crédito”, ela merece muito respeito e quase tanto crédito quanto o Chaos Research [STANDISH, 2001].
Abraços,
Vinicius AC
vinicius,
obrigado pela sua explicação. agora ficou claro. Apesar de serem números significativos, o bom mesmo seria termos uma pesquisa com as mesmas classificações do Chaos Research. Facilitaria a comparação e a análise dos números.
Abs, Marcio.
Olá Vinicius,
Gostei muito da sua análise, será que posso usar seus gráficos em uma apresentação minha?
Claro que com a devida citação do seu trabalho..
Me responda por e-mail..
Abraços..
Shed says : I absolutely agree with this !
05/12/2007 às 3:52 pm
confuso o gráfico 2.9. Afinal, qual o percentual de projetos que obteve sucesso?